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A desatenção generalizada para a Psicanálise

Lucas Sibucks | Psicólogo · CRP 05/86867

Vivemos imersos em um modelo produtivo e tecnológico desenhado especificamente para sequestrar e fragmentar nossa atenção em troca de engajamento e métricas de desempenho. Notificações incessantes, exigência de respostas em tempo real no trabalho e prazos sobrepostos não deixam espaço para a concentração profunda. Nem sempre é “disfunção do cérebro”: o ambiente é que pode ter se tornado invasivo e dispersivo.

A popularização do diagnóstico de TDAH reflete um sofrimento autêntico, mas aponta para uma tendência contemporânea perigosa: a de medicalizar como falha neurológica individual o que, muitas vezes, é a resposta direta de um organismo sobrecarregado pelas engrenagens socioeconômicas do nosso tempo.

Receber um diagnóstico psiquiátrico rápido traz um conforto compreensível – alivia a culpa moral de se sentir preguiçoso ou incapaz e oferece na medicação a promessa de uma ferramenta para "voltar a funcionar" e continuar consumindo. O problema ético começa quando a pílula vira uma prótese para tolerar a própria exploração, silenciando a pergunta incômoda sobre o que exatamente aquela rotina está custando à sua vida e aos seus desejos.

Desatenção ou desinteresse disfarçado?

A psicanálise nos lembra de que prestar atenção exige investir energia psíquica e afetiva em algo. Muitas vezes, a chamada "falta de foco" nada mais é do que o inconsciente decretando greve contra tarefas esvaziadas de sentido, carreiras que adoecem ou rotinas que anulam a singularidade do sujeito. É difícil se concentrar quando a própria vida perdeu o sabor da implicação pessoal.

A clínica não nega que existam quadros clínicos graves e atípicos de desenvolvimento infantil que demandam intervenções médicas cuidadosas. O trabalho, contudo, recusa o automatismo de transformar qualquer inquietação, tédio, angústia ou cansaço adulto em um distúrbio psiquiátrico a ser quimicamente silenciado.

Dê o primeiro passo

Você não precisa atravessar isso sozinho.

Quero entender minha desatenção