Escolhas entregam a posição subjetiva de quem escolhe…
É justamente por esse motivo que muitas pessoas acabam presas a cálculos e mais cálculos como uma suposta etapa de preparação, mas que acaba se revelando como uma estratégia muito sofisticada de adiamento frente ao risco da escolha. Da mesma maneira, muitos dos que afirmam priorizar seguir sua intuição, o fazem como estratégia de reforçamento de padrões já conhecidos para evitar lidar com cenários inéditos – em ambos os casos, o que se vê é o receio pelo novo e pelo choque com a ideia de sermos incompletos, faltantes e imperfeitos.
A psicanálise busca esse choque narcísico. Ao tolerar o seu próprio “não saber”, o sujeito pode se permitir ao erro, ao acaso, àquilo que não pode controlar e, com isso, compreender que é exatamente na imprevisibilidade da vida que grandes reflexões e percepções sobre si e sobre como se vê o outro podem florescer.