← Voltar ao início
·
Questões de Identidade
Crises de identidade em psicoterapia: é possível melhorar?
Lucas Sibucks | Psicólogo · CRP 05/86867
Sentir que você "não sabe mais quem é" não significa que algo em você se perdeu, significa que a história que você vinha contando sobre si mesmo deixou de dar conta do que você sente. Quem sou eu para o outro? Essa talvez seja a pergunta mais inquietante que fazemos a nós mesmos sempre que uma relação não vai bem. A resposta para essa questão pode nos parecer muito distante à primeira vista, mas isso ocorre porque talvez estejamos fazendo a pergunta errada: jamais conheceremos o outro a ponto de sabermos exatamente o que ele deseja, mas é plenamente possível compreendermos o que se esconde em nossas próprias fantasias de completude. E se, ao invés de buscarmos completar o outro, nos arriscássemos a pensar no que queremos que o outro queira de nós?
O outro reflete minha identidade?
Na psicanálise, não olhamos para a crise de identidade como a perda de uma essência que você precisa resgatar, mas como um momento em que certas certezas antigas perderam o prazo de validade.
Ao longo da vida, nós montamos nossa personalidade pegando emprestadas as expectativas dos nossos pais, as exigências do trabalho e as aprovações sociais. Você aprendeu a ser "o responsável", "o bem-sucedido" ou "o compreensivo". A crise surge quando esse personagem cansa e o seu desejo real começa a pedir um espaço maior. Quando surge um conflito, o sentimento de coerência interna se desestabiliza.
Em vez de tentar te devolver uma resposta pronta sobre "quem você é", o trabalho é criar condições para você bancar as próprias escolhas e descobrir que não ter uma identidade fixa não é um defeito: é justamente o que permite você continuar se transformando.