Como elaborar uma perda?
O luto é um processo doloroso, lento e custoso, mas elaborativo e estruturante: o respeito à realidade convence o Eu a sobreviver e a desatar, um a um, os nós que o prendiam àquilo que já não é.
Na psicanálise, o luto não é uma fraqueza a ser consertada nem um protocolo com etapas mecânicas a serem cumpridas, mas uma reação psíquica natural e esperada à perda, seja de uma pessoa, de um ideal ou mesmo da liberdade. Ele carrega consigo a angústia pela perda do objeto amado, mas ao mesmo tempo permite reconhecermos o que do outro permanece vivo em nós mesmos. Durante esse processo, o mundo externo empobrece para o sujeito. A atenção e a libido ficam inteiramente sequestradas pela lembrança de cada traço do objeto perdido.
O desfecho do luto não é o completo esquecimento, mas a possibilidade de liberar espaço interno para que a vida volte a ser investida de desejo, carregando a memória daquilo que se foi sem ficar paralisado por ele.